Syngenta e Amoéba celebram acordo de exclusividade para distribuição na Europa de um biofungicida inovador para cereais
Este biofungicida de nova geração, desenvolvido a partir de tecnologia da Amoéba, foi concebido para controlar a septoriose (Zymoseptoria tritici) e a ferrugem-amarela (Puccinia striiformis), duas das principais doenças fúngicas que afetam o trigo, bem como outras doenças dos cereais, contribuindo simultaneamente para limitar o desenvolvimento de resistências, numa altura em que as opções de tratamento convencional disponíveis estão a diminuir.
A Syngenta Crop Protection AG e a Amoéba anunciaram um acordo exclusivo de fornecimento e distribuição de um biofungicida de nova geração (formulação AXP20), baseado no lisado da ameba Willaertia magna C2c Maky (UE 2025/1177). O acordo transforma o Memorando de Entendimento (MoU) celebrado entre as empresas, em novembro de 2025, numa parceria comercial e de desenvolvimento vinculativa e de longo prazo, sendo o produto comercializado sob uma marca comercial da Syngenta após o seu registo.
O acordo surge num momento decisivo, uma vez que os produtores europeus de cereais enfrentam uma redução das opções disponíveis para a proteção das culturas, num contexto regulamentar cada vez mais exigente e de crescente resistência dos agentes patogénicos.
As primeiras autorizações de venda são esperadas para o 3.º trimestre de 2028 e o início da venda nos principais mercados da UE está previsto para o final de 2028, para utilização pelos agricultores em trigo, espelta e triticale (de primavera e de inverno) a partir da primavera de 2029.
Uma ferramenta essencial contra as ameaças mais dispendiosas aos cereais na Europa
Ao abrigo deste acordo, a Syngenta será distribuidor exclusivo do biofungicida para todos os cereais (exceto milho) nos 27 Estados-Membros da UE, no Reino Unido, na Ucrânia e na Suíça, tendo como alvo inicial as duas doenças fúngicas com maior impacto económico nos cereais europeus: a septoriose (Zymoseptoria tritici) e a ferrugem-amarela (Puccinia striiformis).
A dimensão do desafio é significativa. Em conjunto, estas doenças afetam cerca de 9 a 12 milhões de hectares por ano. Só na Alemanha, a septoriose provoca perdas de produtividade de 5% a 50%, representando um custo para os agricultores de até 1,5 mil milhões de euros por ano, enquanto a ferrugem-amarela pode reduzir a produtividade entre 10% e 70% e provocar a perda total da cultura em variedades suscetíveis, de acordo com fontes reconhecidas do setor e do meio académico.
Matthew Pickard, responsável de Tratamento de Sementes e Biológicos da Syngenta na Europa, afirmou: «A proteção convencional das culturas enfrenta uma pressão crescente por parte da regulamentação e das resistências, por isso este biofungicida de nova geração surge no momento certo — uma verdadeira inovação para o nosso portefólio de controlo bológico e para todos os produtores de cereais que procuram proteger a produtividade e reforçar a resiliência do sistema agrícola».
Um modo de ação distinto para uma gestão moderna das culturas
Um dos principais fatores diferenciadores desta tecnologia reside na sua origem biológica única. Derivada de uma ameba unicelular, atua principalmente através da inibição da germinação dos esporos dos fungos. Em ensaios de campo, demonstrou elevada eficácia contra a septoriose e a ferrugem-amarela, ativando simultaneamente as defesas naturais da planta — uma duplo ação que o torna adequado para proteção integrada das culturas e uma ferramenta valiosa para a gestão de resistências.
Graças à sua atividade multissítio e a múltiplos mecanismos de ação, o lisado de Willaertia magna C2c Maky está classificado pelo Fungicide Resistance Action Committee (FRAC) no Grupo BM02 — produtos biológicos com múltiplos modos de ação — não sendo conhecida qualquer resistência e apresentando um risco de resistência baixo a muito baixo.
Este potencial significativo é sustentado ao mais alto nível: a substância ativa recebeu aprovação da UE em 2025, na sequência da avaliação da EFSA. Em junho de 2026, a empresa Amoéba obteve em França a autorização de venda do AXPERA, um biofungicida baseado na mesma tecnologia. Esta aprovação histórica abre caminho para que outros Estados-Membros finalizem as respetivas autorizações nacionais nos próximos meses, acelerando o acesso ao mercado. Além disso, em outubro de 2025, a Amoéba recebeu a prestigiada Medalha de Ouro Bernard Blum como a solução de controlo biológico mais promissora do ano, tendo a sua tecnologia sido reconhecida pelos profissionais do SIVAL, em janeiro de 2026, como a solução inovadora do ano.
«A assinatura deste acordo vinculativo com a Syngenta representa um marco decisivo para a Amoéba. Temos orgulho em estabelecer uma parceria com o líder europeu no setor dos cereais. Entre muitas outras soluções biológicas, o processo de seleção da Syngenta identificou o AXP20 como o biofungicida de melhor desempenho: a nossa solução é o primeiro biofungicida de nova geração capaz de controlar simultaneamente a ferrugem-amarela e a septoriose no trigo. Para o mercado mais importante da Europa, a Green for Agro procurava o melhor parceiro, com experiência reconhecida no lançamento e comercialização de biofungicidas junto dos produtores de cereais na Europa», afirmou Jean-Marc Petat, Diretor-Geral da Green for Agro, a subsidiária de biosoluções da Amoéba.
Apoiado por um dos mais ambiciosos programas de desenvolvimento em controlo biológico
Os parceiros estão a investir recursos significativos no AXP20. Em 2026, a Syngenta e a Amoéba estão a realizar mais de 70 ensaios de campo, em parceria, estando ambas as empresas empenhadas em aprofundar esta colaboração — tornando-a num dos mais extensos esforços de validação no setor do controlo biologico.
O AXP20 está entre os principais produtos do portefólio de soluções biológicas da Syngenta. Com capacidade para proteger mais de 1 milhão de hectares de cereais em toda a Europa, a Syngenta reforça a liderança no mercado de biofungicidas para cereais.
Termos do acordo e percurso até ao mercado
A Syngenta detém os direitos exclusivos de distribuição para todos os cereais (exceto milho) nos 27 Estados-Membros da UE, no Reino Unido, na Ucrânia e na Suíça.
Ambas as empresas estão agora a avançar com programas conjuntos de regulamentação e de ensaios de campo em toda a Europa, estando previstas as primeiras autorizações no 3.º trimestre de 2028 nos principais mercados da UE e por volta de 2029 no Reino Unido e na Suíça. Para além do trigo, a parceria já prevê o alargamento do uso do produto a novas culturas e geografias à medida que o seu perfil de eficácia se alarga, reforçando o seu potencial enquanto plataforma de crescimento a longo prazo.