Sementes Vivas comemora 10 anos e prepara a próxima fase de crescimento
A Sementes Vivas, a única empresa portuguesa de sementes dedicada exclusivamente à produção biológica e biodinâmica, assinalou a 2 de outubro os seus 10 anos com a inauguração de uma loja física na Herdade do Couto da Várzea, no Ladoeiro, e uma mensagem clara: Portugal pode produzir as suas próprias sementes, de polinização livre, que os agricultores possam guardar, voltar a semear e adaptar aos vários climas do país.

A celebração reuniu investidores, agricultores, vizinhos, colaboradores e famílias, que visitaram os campos de produção e as áreas de processamento, controlo de qualidade e logística. A nova loja, instalada na própria quinta, permite comprar sementes diretamente onde são produzidas e levantar gratuitamente encomendas feitas online, mas quer ser também um ponto de encontro para a região e a comunidade, um espaço para trocar ideias e partilhar conhecimento sobre práticas de agricultura biológica.
Celebrar as sementes e o património agrícola
A empresa tem já sete variedades portuguesas inscritas no Catálogo Nacional de Variedades da DGAV, entre elas a Abóbora Moganga de Geraz, novidade a partir de outubro de 2026, e notificou os primeiros três materiais heterogéneos biológicos em Portugal: populações diversas, capazes de evoluir e de se adaptar às condições de cada território.
Cada variedade local que desaparece leva consigo décadas de adaptação ao solo e ao clima. Por isso, a recuperação e seleção de variedades assenta em trabalho de campo rigoroso: em 10 anos, a Sementes Vivas realizou 145 ensaios, com mais de 1100 parcelas e mais de 700 variedades avaliadas, para identificar as que melhor se adaptam às condições do país.
Da quinta para a mesa, com a comunidade local
O almoço durante o evento foi preparado com produtos da quinta, cultivados a partir de sementes biológicas de produção própria, como abóbora, curgete, cenoura, tomate e alface, e confecionado pelos alunos do curso de Cozinha e Restauração da Escola Profissional da Raia – Idanha-a-Nova. Uma colaboração que traduz a visão da empresa: provar que uma empresa de base agrícola e tecnológica pode crescer no interior do país, criando emprego qualificado e sinergias locais.
Os próximos 10 anos: soberania das sementes e crescimento a partir do interior
Depois de uma década a construir uma cadeia completa, da produção ao processamento, controlo de qualidade e distribuição, a Sementes Vivas está preparada para crescer em volume, variedades e presença internacional, sempre a partir de Portugal, com uma rede de mais de 20 agricultores multiplicadores.
A visão para a próxima década assenta em cinco frentes: manter a elevada qualidade das sementes e apostar na inovação; recuperar e registar mais variedades tradicionais portuguesas; criar, com tecnologia, uma rede de variedades locais com agricultores e parceiros; dar aconselhamento de sementeira adaptado ao clima de cada região; e afirmar a semente nacional como parte de um sistema alimentar mais autónomo e resiliente face às alterações climáticas.
Num momento em que a Europa discute novas regras para a comercialização de sementes, a empresa defende um enquadramento que facilite o registo e a circulação de variedades tradicionais e de polinização livre e que proteja o papel das pequenas e médias empresas de sementes.