Arranca a colheita da Maçã de Alcobaça IGP marcada pela expansão dos "EcoPomares"
A campanha de 2026 assinala os 25 anos da APMA e consolida a aposta na agroecologia, num ano de produção média compensada por elevado valor organoléptico.

A Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA) deu início à colheita da Maçã de Alcobaça IGP, com os primeiros lotes do grupo varietal Gala a chegarem aos lineares de distribuição a partir de 15 de agosto. A campanha decorre num cenário de produção média por exploração — refletindo o padrão climatérico adverso dos últimos quatro anos —, prevendo-se, contudo, um ligeiro crescimento da produção global entre 2% e 4%, alavancado pela entrada de novos produtores e organizações no consórcio da Indicação Geográfica Protegida.
O comportamento meteorológico registado, caracterizado por temperaturas elevadas no inverno (que limitaram as horas de frio essenciais ao descanso vegetativo) e extremos térmicos durante o ciclo de desenvolvimento, condicionou o calibre médio e o rendimento potencial dos pomares. Não obstante, o menor calibre resultou numa maior concentração de sólidos solúveis, minerais, fitonutrientes e compostos aromáticos, preservando o equilíbrio agridoce, a textura crocante e o perfil organoléptico que diferenciam a maçã da região. No plano fitossanitário, a ausência de pressão relevante de pragas e doenças permitiu uma evolução regular dos pomares.
Avanço histórico na transição agroecológica
Coincidindo com a celebração dos 25 anos da APMA, a campanha de 2026 atinge um marco estrutural com a qualificação de mais de 100 «EcoPomares», o que representa mais de metade da área total sob a chancela IGP gerida segundo princípios de agroecologia e agricultura regenerativa.
Este modelo operacional assenta na promoção de serviços de ecossistema e em práticas agrícolas integradas, tais como:
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Recuperação e instalação de infraestruturas ecológicas;
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Gestão racional da flora auxiliar intra e peripomar;
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Fomento de insetos polinizadores, auxiliares e avifauna;
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Recurso prioritário a meios biotécnicos e culturais em substituição de intervenções químicas.
O reforço destas técnicas, aliado à capacitação contínua dos fruticultores ao longo dos últimos cinco anos, permitiu atingir uma fatia expressiva da produção com resíduo zero de produtos fitofarmacêuticos, alinhando a fileira da Maçã de Alcobaça IGP com as exigências europeias de sustentabilidade, proteção da biodiversidade e regeneração do solo.