Setor agrícola estima perdas de 500 milhões de euros e CAP critica atraso nos apoios
O setor agrícola nacional enfrenta um cenário de crise após a passagem de um "comboio" de tempestades, com prejuízos declarados que rondam os 500 milhões de euros. Segundo a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), embora os valores ainda careçam de verificação técnica, a ajuda financeira tarda em chegar aos produtores.

O secretário-geral da CAP, Luís Mira, lamenta que, passado um mês e meio sobre as intempéries, ainda não existam prazos, montantes ou regras definidas para candidaturas a apoios específicos. Até ao momento, o setor apenas pôde aceder ao apoio extraordinário de 10.000€ destinado a concelhos em situação de calamidade.
Por outro lado, o Ministério da Agricultura, liderado por José Manuel Fernandes, reportou que até 12 de fevereiro tinham sido submetidas 4.208 declarações de prejuízo, totalizando 303 milhões de euros. O Governo anunciou a abertura de uma medida para o restabelecimento do potencial produtivo, focada em investimentos entre 5.000€ e 400.000€, com taxas de apoio que podem atingir os 100% em valores até 10.000€.
O balanço trágico das depressões Kristin, Leonardo e Marta
A passagem sucessiva das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fustigaram o continente durante três semanas, deixou um rasto de destruição severo. O balanço humano é pesado, registando-se pelo menos 19 vítimas mortais desde 28 de janeiro, sendo que mais de metade das mortes ocorreu durante trabalhos de recuperação.
As consequências materiais incluem:
Destruição total ou parcial de milhares de explorações agrícolas, empresas e habitações.
Queda massiva de árvores e estruturas, cortes de energia, água e comunicações.
Inundações e cheias generalizadas, com prejuízos globais (transversais a vários setores) na ordem dos milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram identificadas como as mais fustigadas por estas intempéries, aguardando agora a concretização dos mecanismos de apoio ao restabelecimento da atividade produtiva.