APROSERPA admite avançar para novas formas de luta e exige intervenção na agricultura

A Associação de Produtores do Concelho de Serpa (APROSERPA) alerta para a "tempestade perfeita" que ameaça o sistema agropecuário extensivo. Entre a escassez de vacinas que deixa os animais desprotegidos, o secretismo sobre a nova PAC, a concorrência desleal dos acordos com o Mercosul e a Austrália, e a explosão brutal do preço dos combustíveis e fertilizantes, a Associação exige respostas imediatas e reitera o pedido de reunião de urgência à CCDR Alentejo, avisando que está pronta para novas formas de luta.

Serpa – A Direção da APROSERPA vem a público denunciar o estado de abandono a que o setor agropecuário do sul do país está a ser votado. Numa altura em que se decidem os dossiês críticos do nosso futuro, os agricultores enfrentam uma crise sem precedentes, agravada pelo silêncio ensurdecedor das entidades oficiais.

A APROSERPA destaca quatro frentes de batalha que exigem intervenção imediata:

1. O Caos na Sanidade Animal e a Falta de Vacinas

O setor lida atualmente com uma inaceitável escassez e falha de vacinas no mercado. Pior do que a falta de profilaxia, é a ausência total de informação atempada e de diretrizes claras por parte da tutela (DGAV e Ministério). Os produtores estão a ser deixados à sua sorte, com os efetivos pecuários completamente desprotegidos face aos surtos de doenças, colocando em risco não só o rendimento das explorações, mas a própria sobrevivência dos animais.

2. O Silêncio sobre a Nova PAC e a Ameaça dos Acordos Comerciais (Mercosul e Austrália)

Tudo isto acontece sob um silêncio inaceitável e perigoso em torno das negociações da nova Política Agrícola Comum (PAC). Enquanto o futuro da agricultura europeia é decidido à porta fechada, a Europa impõe restrições draconianas aos nossos produtores e prepara-se simultaneamente para escancarar as portas a importações massivas através de acordos de livre comércio ruinosos com o bloco do Mercosul e com a Austrália. Estamos a falar da entrada desregulada de milhares de toneladas de carne (bovina e ovina) produzida sem os nossos rigorosos padrões sanitários, de bem-estar animal ou ambientais. É uma concorrência absolutamente desleal que ameaça destruir a pecuária nacional e entregar a nossa Soberania Alimentar a países terceiros.

3. O Garrote dos Combustíveis e a Explosão dos Fertilizantes

A atual instabilidade internacional está a ter um impacto devastador e imediato nas nossas explorações, com o aumento súbito e galopante dos fatores de produção, nomeadamente os adubos e fertilizantes, e uma escalada dramática no preço do gasóleo agrícola (gasóleo verde).

Para que a opinião pública compreenda a gravidade, é preciso esclarecer que o consumo de um trator não se compara ao de um automóvel. Um trator atual de 100 cv (uma potência média/baixa) consome:

• Uso Ligeiro: 6 a 8 litros por hora.

• Uso Médio: 10 a 14 litros por hora.

• Uso Pesado (lavoura): 15 a 20 litros por hora.

Num dia de trabalho intensivo de 8 a 10 horas, um único trator consome facilmente entre 150 a 200 litros de gasóleo verde. Com os valores atuais na bomba, isto significa que ligar um único trator custa hoje a um agricultor entre 200 a 280 euros por dia só em combustível. Multiplicando isto pelos dias de campanha e pela frota necessária numa exploração, e somando o custo astronómico dos fertilizantes, percebe-se rapidamente que os custos de produção estão a asfixiar o setor produtivo, sem que haja uma intervenção estrutural do Governo para proteger a produção nacional de alimentos.

4. O Fim das "Conversas de Gabinete" e a Disponibilidade para Novas Formas de Luta

Perante a passividade histórica das grandes Confederações nacionais, a APROSERPA assume-se como uma voz ativa de exigência e de defesa intransigente do mundo rural. O tempo das "reuniões simpáticas" acabou. Nesse sentido, a Associação — que já havia avançado com um pedido de reunião institucional ainda antes da indigitação da nova Vice-Presidente da CCDR Alentejo para a área da Agricultura, Eng.ª Helena Cavaco — reitera agora a urgência máxima desse encontro para exigir a defesa intransigente do sistema extensivo que abrange mais de 1.400 agricultores só no concelho de Serpa.

Fica, contudo, um aviso claro por parte da Direção: se este grito de alerta continuar a ser ignorado pelo poder político, a APROSERPA e os seus associados estão totalmente mobilizados e disponíveis para avançar para novas formas de luta e protesto no terreno.

"Não podemos continuar a ser meros espectadores da nossa própria ruína. Exigimos menos política de gabinete e mais ação. Sem agricultores não há comida, e sem comida não há soberania" remata a Direção da APROSERPA.

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