Tempestades e conflito no Médio Oriente fazem disparar preços de frutas e legumes

A categoria das frutas e legumes registou uma trajetória de subida de preços no primeiro trimestre de 2026. Este fenómeno é o resultado direto da conjugação de dois fatores críticos: a sucessão de tempestades que atingiu o território português e o agravamento das tensões no Médio Oriente, que impulsionou os custos dos fatores de produção.

 

Análise por produto: Curgete e Couve-coração com as maiores subidas

De acordo com os dados de monitorização da Deco aos supermercados online, entre 7 de janeiro e o final de março, verificaram-se aumentos significativos em vários hortícolas. A curgete viu o seu preço por quilo saltar de 1,89€ para 2,35€. O pico máximo de subida deste produto ocorreu entre 4 e 11 de fevereiro (atingindo os 3,69€/kg), coincidindo com o período de tempestades que devastou culturas e infraestruturas, particularmente na região Centro.

A couve-coração seguiu uma tendência semelhante, passando de 1,47€ para 1,78€ por kg, com o maior agravamento registado na última quinzena de fevereiro. Outros produtos que registaram subidas incluem:

Batata vermelha: Aumento de nove cêntimos (de 1,31€ para 1,40€/kg).

Tomate: Encareceu sete cêntimos.

Alho seco (500g): Subida de sete cêntimos, fixando-se nos 3,43€.

Cenoura: Passou de 1,07€ para 1,13€ por kg.

Laranja e Maçã Gala: Ambas com um acréscimo de quatro cêntimos desde o início de janeiro.

 

Pelo contrário, os brócolos registaram a descida mais acentuada, caindo 28 cêntimos (para 2,87€/kg). A couve-flor (-26 cêntimos) e a cebola (-11 cêntimos) também viram os seus preços baixar neste período. A alface, apesar de oscilações que a levaram aos 2,91€ em fevereiro, estabilizou o seu preço nos 2,68€/kg.

O impacto da crise geopolítica nos custos de produção

O cenário agravou-se a partir de 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar ao Irão, justificando a ação com a falta de acordo sobre o programa nuclear iraniano. Em retaliação, o encerramento do estreito de Ormuz e os ataques a infraestruturas na região fizeram disparar os custos de produção agrícola, com reflexos imediatos no consumidor final.

Entre 25 de fevereiro e 18 de março, este novo contexto geopolítico provocou subidas adicionais: a maçã golden encareceu 16 cêntimos, os brócolos inverteram a tendência com uma subida de 15 cêntimos e a cenoura aumentou nove cêntimos.

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