Portugal pode exportar mais frutas e legumes mas é preciso abrir mercados

O presidente da Portugal Fresh, Manuel Évora, defendeu esta semana que Portugal tem capacidade para aumentar as exportações de frutas e legumes, mas apelou a uma maior pressão para derrubar os entraves burocráticos em determinados mercados.

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«Precisamos de abrir mais mercados fora da Europa e esses mercados são muito mais difíceis de abrir, as negociações entre Portugal e esses países demoram anos», salientou o responsável desta associação de promoção de frutas e legumes que representa dezenas de produtores e está presente na maior feira mundial do setor, a Fruit Logistica, que decorre até 5 de fevereiro em Berlim.

Manuel Évora sublinhou que é preciso ser «cada vez mais céleres e pressionante» no que diz respeito a países estratégicos como o México, a Colômbia, a China e outros países asiáticos «onde existe dificuldade em ultrapassar os processos burocráticos fitossanitários».

Realçando que Portugal é «um país de excelência» para as frutas, legumes e flores, o presidente da Portugal Fresh adiantou que o setor cresceu 41% na exportação entre 2010 e 2014, exporta cerca de 50% do que produz e está prestes a atingir o equilíbrio da balança comercial.

As exportações de frutas e legumes aumentaram 14% entre 2014 e 2015, atingindo mais de mil milhões de euros, destacando-se o crescimento de países como a Alemanha, o país anfitrião da Fruit Logistica e que é também o maior importador europeu de frutas e legumes.

Segundo Manuel Évora, as importações alemãs representam cerca de 12,8 mil milhões de euros e Portugal tem uma quota de apenas 0,22% neste mercado.

«Abrem-se aqui uma série de oportunidades para crescer numa série de produtos», declarou, apontando o caso das framboesas que passaram de 10 milhões de euros exportados em 2014 para 30 milhões em 2015, passando a ser o segundo país mais importante do mundo para o mercado alemão no que diz respeito a este fruto.

O objetivo do Governo e dos produtores é duplicar o valor das exportações até 2 mil milhões de euros em 2020 e existe «capacidade exportadora», garante o responsável da Portugal Fresh, indicando a pera rocha como um exemplo emblemático.

«Nós produzimos, por ano, 200 mil toneladas [de pera rocha], consumimos 100 mil em Portugal e colocamos 100 mil no mercado externo. Se os produtores foram executar 100% dos contratos do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), dentro de três anos vamos ter uma produção de 350 a 400 mil toneladas de pera rocha», adiantou.

O mesmo acontece com o kiwi: em 2014 produziram-se 5.600 toneladas, em 2015, 8.600 toneladas e, em breve, serão alcançadas as 14 mil toneladas, mas o consumo em Portugal, durante o tempo de produção, não vai além das 2 a 3 mil toneladas.

«Temos de fazer pressão sobre o Governo para encontrar mercados para colocar todos esses produtos», reforçou Manuel Évora.

Defendeu igualmente que é necessário fomentar o consumo de fruta e legumes em Portugal.

«Estamos a regredir em termos de consumo de frutas, consumíamos 120 quilos per capita em 2000 e, em 2015, consumimos 105 quilos. Temos de reverter isto», afirmou, apelando ao envolvimento dos produtores, da distribuição, dos mercados tradicionais, mas também ao Governo com especial enfoque nos ministérios da Agricultura, da Saúde e da Educação.

Fonte: Lusa 

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