O mercado de frutas e hortícolas

O Ministério da Agricultura realizou um ponto da situação do mercado de frutas e hortícolas, quer a nível internacional, quer a nível nacional.

Hortofruticultura

A nível europeu, existem omportamentos diferentes de acordo com os produtos. No entanto, os dados disponíveis correspondentes ao início de março de 2020, ou período anterior, não refletem a atual situação vivida na Europa em resultado da pandemia Covid-19.

O tomate, no início de março apresentava um valor de 102 €/100 kg, representando uma descida relativamente ao período homólogo de 2019. Os cítricos, em janeiro de 2020, apresentavam um valor de 67 €/100 kg, valor acima do verificado em 2019. A maçã, em fevereiro de 2020, apresentava um valor de 66 €/100 kg, valor acima do verificado em 2019. A banana produzida na UE apresentava, no início de março de 2020, um valor de 111 €/100 kg, abaixo de 2019, com Portugal a ter o preço mais alto – 184 €/100 kg.

No mercado português, o setor das  tem crescido de forma significativa nos últimos anos, com valor das exportações a aumentar significativamente - de 1 470 M€ em 2017 para 1 605 M€ em 2019 - , representando 2,7% das exportações totais portuguesas e 25,4% do setor agroalimentar. No mesmo período, as importações também aumentaram de 1 622 M€ para 1 760 M€. (dados INE em 09/09/2019), o que implica uma sensibilidade e exposição acentuada a perturbações de mercado internacional.

Os principais destinos das exportações do setor em 2019 (dados preliminares) são Espanha com 491M€ (31%), França com 204 M€ (13%) e Países Baixos com 151 M€ (9,5%), tendo ultrapassado recentemente o Reino Unido na 3ª posição, todos com impactos elevados da Covid-19, o que pode antever problemas.

Por outro lado, as principais origens (dados preliminares) são Espanha com 905 M€ (51,5%), Países Baixos com 139 M€ (7,9%) e França com 107 M€ (6,1%), o que pode levar a perturbações no abastecimento no médio prazo.

Hortícolas

Nos hortícolas frescos, relativamente ao comércio internacional, Portugal tem um saldo negativo de (-) 406 683 toneladas e (-) 90,8 M€. Pelo contrário, nos hortícolas congelados Portugal tem um saldo positivo de 15 755 toneladas e 11,3 M€.

A procura das hortícolas não perecíveis, como a batata, cebola, cenoura e tomate, aumentou significativamente de forma abrupta e os preços valorizaram muito. São produtos que duram mais tempo nas casas dos consumidores. Quanto às hortícolas mais perecíveis, como a alface e as brássicas, a procura diminuiu e, em alguns casos, os preços desceram. A perceção errada de serem produtos transmissores da Covid-19 levou a esta redução.

Nos hortícolas frescos/refrigerados, os principais destinos são Espanha (55%), Reino Unido (8%) e Países baixos (7%). As origens das principais entradas são Espanha (61%), França (29%) e Países Baixos (6%). Nos hortícolas congelados, os principais destinos são Bélgica (43%), França (22%) e Espanha (5%). As origens das principais entradas são Espanha (62%), Bélgica (18%) e França (6%).

Frutas

Relativamente à maçã, Portugal tem um grau de autoaprovisionamento de 101,3% (2018) e um grau de abastecimento no mercado interno de 78,6%. Os principais destinos são Espanha (56%), Brasil (9%) e Reino Unido (8%). As origens das principais entradas são Espanha (42%), França (34%) e Brasil (9%).

Relativamente à pera, Portugal tem um grau de autoaprovisionamento de 189,6% (2018), e um grau de abastecimento no mercado interno de 77,9%. Os principais destinos são Brasil (39%), Reino Unido (17%) e França (12%). As origens das principais entradas são Espanha (54%), África do Sul (24%) e Argentina (5%).

Relativamente à laranja, Portugal tem um grau de autoaprovisionamento de 97% (2018), e um grau de abastecimento no mercado interno de 57,7%. Os principais destinos são Espanha (76%), França (14%) e

As cotações da framboesa, como é um produto de fraca conservação, desvalorizaram, 6%, 22% e 6% respetivamente, nas áreas de mercado Península de Setúbal, Algarve e Odemira.

Problemas causados pela Covid-19

Relativamente ao contexto da pandemia sanitária, Portugal não é autossuficiente em hortícolas frescos e em alguns frutos, nomeadamente os frutos exóticos e frutos fora de época. O fecho do canal HORECA pode, porém, fazer alterar este perfil de consumo, orientando-se o mercado para produtos mais duradouros e para congelados, situação acomodável pela redução de frutos exóticos, e que pode de algum modo atenuar o impacto de eventual rutura em mercados de destino de produtos nacionais.

Existe uma necessidade de garantir a manutenção da cadeia de abastecimento, uma preocupação com falta de mão-de-obra e com garantia da capacidade logísticas de transporte para efetuar as entregas diárias dos produtos frescos perecíveis.

Pode também ocorrer uma possível perda de poder de compra por parte do consumidor e de mercados de destino para produtos muito dependentes de exportação, como os pequenos frutos de baga e rutura de stocks de fatores de produção, por impossibilidade de acesso a pontos de aquisição específicos, como no caso dos fitofármacos.

Está em avaliação por parte das OP a possibilidade de alterar os PO, de forma a poder acomodar a situação de perda de produção e orientar as prioridades e objetivos para a ação produtiva ajustada à procura atual.

Em particular, o setor das flores e plantas ornamentais depara-se com enormes prejuízos que podem colocar em causa a manutenção dos postos de trabalho, que, por outro lado, uma redução significativa de trabalhadores põe em causa as vendas futuras. O setor deixou de poder vender para os principais mercados de exportação (França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, que estão completamente bloqueados), não sendo o mercado nacional uma alternativa, em que as vendas apresentam neste momento valor residuais, tendo as empresas já iniciado a destruição de plantas que não foram vendidas.

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