Paraguai condenado pela ONU por morte causada por agrotóxicos

O país sul-americano foi a primeira nação de sempre a ser culpabilizada por uma morte causada pelo uso massivo de agroquímicos.

Texto: Sofia Monteiro Cardoso

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas afirma que o uso desenfreado das substâncias causou pelo menos uma morte, a do agricultor Rúben Portillo, e 22 casos de intoxicação. O Paraguai foi assim acusado de violar liberdades fundamentais e os direitos humanos.

Os casos ocorreram durante a fumigação de plantações de soja no país. “Pedimos ao Paraguai que faça uma investigação exaustiva para punir todos os responsáveis e reparar integralmente as vítimas”, é possível ler-se no comunicado emitido pela ONU.

Apesar de a situação ter sido por diversas vezes denunciada, as fumigações prosseguiram o seu curso normal, sem qualquer medida de proteção ambiental. Além dos danos infligidos a nível pessoal, existiu ainda a contaminação da água, do solo e de culturas, o que impacta negativamente a vida das comunidades circundantes.

“As fumigações massivas contaminaram os recursos hídricos e aquíferos, impedindo o uso de rios, e causaram a perda de plantações e árvores frutíferas, assim como a morte de vários animais de criação”, é denunciado no documento.

As vítimas do uso dos agroquímicos são trabalhadores rurais, todos familiares, que vivem na região de Canindeyú. Os sintomas sofridos relacionaram-se com náuseas, enjoos, dores de cabeça, febre, dor de estômago que causava vómitos, diarreia, tosse e lesões na pele.

O Paraguai é o terceiro maior exportador de soja do mundo, com cerca de 30 mil quilómetros quadrados dedicados ao cultivo da planta.

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